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Dengue em crianças: quais são os sintomas e quando se preocupar

Se você já se pegou pensando: “Será que essa febre é só uma virose comum ou pode ser algo mais?”…

Se você já se pegou pensando: “Será que essa febre é só uma virose comum ou pode ser algo mais?” Em épocas de aumento dos casos de dengue, essa dúvida passa pela cabeça de muitos pais e com razão.

A dengue é uma doença frequente no Brasil e, nas crianças, pode ter um comportamento diferente do que vemos nos adultos. Às vezes, os sintomas são leves e passam quase despercebidos. Em outras situações, o quadro pode se agravar de forma súbita, exigindo atenção redobrada.

Neste texto, vamos conversar sobre o que é a dengue em crianças, quais são os sintomas, quando acender o sinal de alerta, como cuidar em casa com segurança e, claro, como prevenir.


A dengue é uma doença causada por um vírus, transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Esse mosquito está bem adaptado ao ambiente urbano e costuma circular durante todo o dia, sendo mais ativo principalmente:

  • Das 7h às 10h
  • Das 16h às 19h

Ou seja: não é só à noite que precisamos nos preocupar.

Depois da picada, o vírus entra no organismo da criança e os sintomas podem aparecer entre 3 e 14 dias, período que chamamos de incubação. Um ponto importante, e pouco conhecido, é que mesmo pessoas sem sintomas podem transmitir o vírus nos primeiros 7 dias da infecção.

Isso ajuda a explicar por que a dengue se espalha tão rápido em algumas regiões.


Essa é uma pergunta muito comum – e a resposta é: sim, pode ser diferente.

A dengue em crianças nem sempre começa de forma “clássica”. Em alguns casos:

  • A febre pode ser o único sintoma inicial
  • O mal-estar pode ser confundido com uma virose comum
  • O agravamento pode acontecer de forma súbita, sem muitos avisos prévios

Por isso, é tão importante observar não apenas a temperatura, mas o comportamento da criança como um todo.

  1. Ela está brincando como de costume?
  2. Aceita líquidos?
  3. Está mais sonolenta ou irritada que o normal?

Esses detalhes fazem toda a diferença.


Devemos suspeitar de dengue em crianças quando há febre acima de 38 °C, com duração entre 2 e 7 dias, associada a dois ou mais dos sintomas abaixo:

  • Dor de cabeça
  • Dor atrás dos olhos (dor retro-orbitária)
  • Prostração (cansaço intenso, falta de energia)
  • Manchas vermelhas na pele (exantema)
  • Náuseas ou vômitos
  • Pequenos pontinhos vermelhos na pele (petéquias)
  • Recusa alimentar
  • Dor abdominal
  • Irritabilidade

Nem todas as crianças terão todos esses sintomas. Às vezes, a febre vem acompanhada apenas de um mal-estar inespecífico, e está tudo bem ficar em dúvida. Nessas situações, a avaliação médica é sempre o melhor caminho.


Vamos imaginar o corpo da criança como uma cidade bem organizada. O sistema imunológico é a equipe de defesa dessa cidade.

Quando o vírus da dengue entra, o organismo começa a lutar contra ele. Durante essa batalha:

  • O sistema de defesa libera substâncias inflamatórias
  • Essas substâncias ajudam a combater o vírus, mas também causam os sintomas: febre, dor, cansaço

Até aqui, tudo faz parte do processo normal.

O problema é que, em alguns casos, essa resposta inflamatória fica desregulada, como se os portões da cidade começassem a ficar frouxos. Isso pode levar a:

  • Saída de líquido dos vasos sanguíneos
  • Queda da pressão
  • Alterações na circulação

Esse momento costuma acontecer após o fim da febre e é justamente por isso que essa fase exige mais atenção.


Muitos pais respiram aliviados quando a febre desaparece. E, na maioria das vezes, com razão. Porém, na dengue, o período logo após o fim da febre pode ser o mais delicado.

É nessa fase que podem surgir os sinais de alarme, indicando risco de evolução para formas graves da doença.

Ou seja: melhora da febre não significa, necessariamente, que o perigo passou.


Os sinais de alarme costumam aparecer após a fase febril e exigem avaliação médica urgente. Fique atento se a criança apresentar:

  • Dor abdominal intensa: Principalmente se surgir após a febre.
  • Vômitos persistentes: 3 ou mais episódios em 1 hora ou 4 episódios em até 6 horas
  • Sangramentos: na gengiva, nariz
  • Fezes escurecidas
  • Manchas roxas sem trauma
  • Sonolência excessiva ou irritabilidade intensa
  • A criança parece “diferente”, mais quieta ou muito irritada.

Na dengue em crianças, o agravamento pode ser rápido. Em alguns casos, o quadro grave é a primeira manifestação clínica, sem uma fase inicial muito evidente. Na dúvida, procure atendimento.


Não existe um medicamento específico que “mate” o vírus da dengue em crianças. O tratamento é baseado em suporte e acompanhamento clínico, com foco principal em:

  • A hidratação é o pilar do tratamento. 
  • Ofereça líquidos com frequência
  • Água, soro de reidratação oral, água de coco
  • Em lactentes, manter o aleitamento materno sempre que possível
  • Não force a criança a comer
  • Priorize alimentos leves
  • O mais importante é a ingestão de líquidos

Especialmente nas primeiras 48 horas sem febre, período considerado crítico.

Nunca ofereça medicamentos sem orientação médica, especialmente anti-inflamatórios, que podem aumentar o risco de sangramentos.


A necessidade de internação depende de vários fatores, como:

  • Presença de sinais de alarme
  • Dificuldade para manter hidratação oral
  • Alterações nos exames laboratoriais
  • Idade da criança
  • Condições clínicas associadas

Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente pelo pediatra.


A prevenção ainda é a melhor estratégia.

  • Eliminar água parada
  • Verificar vasos de plantas, calhas, ralos, caixas d’água 
  • Manter garrafas viradas para baixo

A vacinação contra a dengue é uma ferramenta importante e deve seguir as recomendações do calendário e das campanhas vigentes.

Atualmente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a vacina QDENGA®, formulada com vírus vivo atenuado, para a prevenção da dengue causada por qualquer um dos quatro sorotipos do vírus (1, 2, 3 e 4). Essa vacina pode ser administrada independentemente de exposição prévia à dengue, sem necessidade de testes antes da vacinação, o que facilita sua indicação na prática clínica.

A QDENGA® está indicada para crianças e adolescentes, conforme faixa etária aprovada pelas autoridades sanitárias, e deve ser aplicada de acordo com os esquemas e critérios definidos pelo calendário oficial e pelas campanhas de vacinação em vigor.

Nos últimos meses, também surgiram notícias sobre o desenvolvimento de uma vacina nacional contra a dengue. No entanto, até o momento, essa vacina tem indicação restrita a adolescentes, não estando liberada para crianças menores. Por isso, é essencial que os pais conversem com o pediatra para entender qual vacina está disponível, para qual faixa etária e qual é a melhor opção para cada criança.

Mesmo com a vacinação, vale lembrar: as medidas de combate ao mosquito continuam sendo indispensáveis, já que nenhuma vacina substitui totalmente a prevenção ambiental.

O uso de repelentes é seguro quando feito corretamente:

  • Lactentes acima de 6 meses: até 1 aplicação ao dia
  • Crianças de 1 a 12 anos: até 2 aplicações ao dia
  • A partir de 12 anos: 2 a 3 aplicações ao dia

Nunca aplicar repelente: nas mãos da criança, em áreas irritadas da pele e/ou próximo aos olhos ou boca


A dengue em crianças pode assustar – e tudo bem sentir medo quando o assunto é a saúde dos nossos filhos.
Mas informação de qualidade é uma grande aliada.

Observe, confie no seu instinto, mantenha acompanhamento médico e lembre-se:
na dúvida, procurar ajuda nunca é exagero.

Cuidar de uma criança é um exercício diário de atenção, vínculo e amor  e você não precisa fazer isso sozinho.


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Beatriz Batista
Estudante de Medicina
Criadora do blog Cuida Criança. Produzo conteúdo educativo em saúde infantil, com base em evidências científicas, para orientar pais e cuidadores. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui avaliação médica.


Cuida Criança

O Cuida Criança é um espaço criado com carinho para mamães, papais e todos os responsáveis que buscam entender melhor a saúde, o desenvolvimento e o bem-estar das crianças. Aqui, falamos sobre pediatria de forma clara, acessível e acolhedora — sempre com base na ciência, no respeito às fases da infância e na construção de vínculos fortes e saudáveis.

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