As férias finalmente chegam: dias de sol, mar, piscina, brincadeiras e muita energia acumulada das crianças. Mas, junto com tantos momentos gostosos, alguns incômodos também podem aparecer – e a dor de ouvido é um dos campeões dessa época do ano.
Se seu filho já saiu da água feliz e, poucas horas depois, começou a reclamar de dor ao tocar a orelhinha, você não está sozinho. Essa queixa é extremamente comum nos meses mais quentes e pode ser um sinal de otite externa, também chamada popularmente de “otite do nadador”.
Neste artigo, vamos conversar de forma clara e acolhedora sobre o que é a otite externa, por que ela aparece com mais frequência no verão, quais sinais devem acender o alerta e o que você pode fazer.
Prepare-se para entender tudo de um jeito simples e prático! Vamos lá?
O que é otite externa?
A otite externa é uma inflamação do canal auditivo externo, a região que vai da entrada do ouvido até o tímpano. Ela pode acontecer por causa de uma infecção (geralmente por bactérias ou fungos) ou simplesmente por irritação local.
Na prática, existem duas formas principais:
- Otite externa aguda: dura menos de 6 semanas e é a mais comum nos meses de calor.
- Otite externa crônica: dura mais de 3 meses, geralmente relacionada a alergias, pele sensível ou dermatites.
Essa condição é especialmente frequente em crianças entre 7 e 14 anos, que costumam passar mais tempo na água durante as férias.
Por que a otite externa é tão comum no verão?
Sabe quando a criança sai da piscina e fica sacudindo a cabeça porque “entrou água no ouvido”? Pois é, essa água que permanece ali dentro é o grande gatilho para a otite externa.
O canal auditivo possui glândulas que produzem cerúmen (a famosa cera de ouvido). Embora muitas vezes seja vista como “sujeira”, na verdade a cera tem funções essenciais:
- protege a pele do canal auditivo,
- mantém um ambiente levemente ácido,
- dificulta a proliferação de bactérias e fungos,
- ajuda a expulsar partículas e sujeirinhas.
Mas quando a criança passa muito tempo na água, ocorre uma alteração desse ambiente. A umidade eleva o pH, prejudica a função protetora da cera e facilita o crescimento de microrganismos.
Além disso, a pele do canal auditivo pode ficar mais sensível e sofrer microlesões, abrindo portas para infecções.
Quando a otite externa é mais provável?
Durante o verão, alguns hábitos e condições aumentam bastante a chance de uma criança desenvolver otite. Entre os principais estão:
1. Natação frequente
Piscina, mar, chuveirões e banhos longos favorecem o acúmulo de água no canal auditivo.
2. Umidade prolongada
Além da água em si, o clima quente e úmido já aumenta a sensibilidade da pele.
3. Uso de cotonetes
Apesar de comuns, cotonetes removem a cera protetora, irritam a pele e podem empurrar sujeira para dentro, aumentando muito o risco de infecção.
4. Traumas locais
Coçar o ouvido, colocar os dedos ou outros objetos pode machucar a pele delicada da região.
5. Doenças dermatológicas
Crianças com eczema, psoríase ou dermatite seborreica têm maior predisposição.
6. Uso de tampões ou fones internos
Principalmente quando usados de forma prolongada ou compartilhados.
Como a otite externa se desenvolve dentro o ouvido?
Vamos imaginar o canal auditivo como um corredor protegido por uma película natural de cera.
Quando essa barreira se mantém intacta, as bactérias e fungos não conseguem se multiplicar.
Mas, quando há:
- umidade acumulada,
- perda da cera,
- pequenos machucados,
O ambiente fica mais “favorável” para germes se instalarem. O pH sobe, a pele inflama e, em pouco tempo, a criança sente dor. E dói mesmo!
Quais são os sintomas de otite externa?
A dor é o sintoma mais marcante, mas outros sinais podem aparecer. Observe se seu filho apresenta:
- Dor no ouvido: É uma dor que costuma piorar bastante quando tocamos ou puxamos o lóbulo da orelha. Muitas crianças reclamam ao deitar de um lado.
- Coceira: Um dos primeiros sinais, mais comum no início da inflamação.
- Sensação de ouvido tampado: A criança pode relatar que está ouvindo “abafado”.
- Secreção: Em alguns casos, pode sair líquido claro, amarelado ou com cheiro.
- Inchaço e vermelhidão: A região pode ficar sensível ao toque.
- Febre (menos comum): Quando aparece, tende a ser baixa e surge em casos mais intensos.
- Alteração no humor: Nas crianças pequenas, a dor não é sempre fácil de localizar. Portanto, irritação, choro e dificuldade de dormir também podem ser sinais.
Afinal, como diferenciar otite externa de outras dores de ouvido?
Nem toda dor de ouvido é otite externa. Outras causas podem ser:
- Otite média (infecção atrás do tímpano): mais comum após resfriados.
- Tampão de cera: sensação de ouvido tapado sem dor intensa.
- Dor referida: problemas de garganta ou dentes podem doer no ouvido.
A diferença mais marcante da otite externa é: a dor piora ao mexer na orelha. Se isso acontece, a chance de ser otite externa é grande.
Quando procurar atendimento médico?
Procure um pediatra ou otorrino se a criança apresentar:
- dor que dura mais de 24-48h,
- dor intensa logo no início,
- secreção com mau cheiro,
- febre persistente,
- diminuição da audição,
- inchaço importante da orelha,
- histórico de otites de repetição,
- doenças de pele que pioram com frequência.
Crianças menores de 2 anos devem ser avaliadas mais precocemente, pois tendem a apresentar sintomas de forma mais inespecífica.
Como é o tratamento da otite externa?
A boa notícia é que a otite externa tem tratamento simples e costuma melhorar rapidamente quando tratada corretamente.
O pediatra geralmente indica:
1. Colírios otológicos com antibiótico
São a principal forma de tratamento. Em alguns casos, também contêm anti-inflamatório ou corticoide para aliviar a dor e o inchaço.
2. Analgésicos e anti-inflamatórios
Paracetamol ou ibuprofeno ajudam a controlar a dor, especialmente nas primeiras 24-48h.
3. Limpeza do canal (se necessário)
Feita por profissionais, sem cotonete, para retirar secreções ou detritos que impedem o colírio de agir.
4. Orientações de cuidado
- evitar entrar na água durante o tratamento,
- não usar cotonetes,
- não colocar gotas caseiras, óleo, álcool ou qualquer substância sem recomendação médica.
A melhora geralmente começa em 48-72 horas, mas é importante seguir o tratamento pelo tempo recomendado.
Dicas práticas para prevenir otite externa nas férias
Como sempre falamos na educação positiva, o ideal é prevenir e envolver a criança nas conversas sobre autocuidado fortalece autonomia e vínculo. Aqui vão orientações para o dia a dia:
1. Ensine seu filho a secar os ouvidos de forma segura
- Após a água, use apenas a toalha por fora.
- Inclinar a cabeça para cada lado também ajuda a água a sair naturalmente.
2. Evite cotonetes
Explique para a criança que a cera é proteção, não sujeira.
3. Use tampões ou toucas somente quando recomendados
E sempre secos e bem ajustados.
4. Pause o uso de fones intra-auriculares se a criança estiver com irritação local
5. Respeite o tempo fora da água
Se a criança já teve otite externa recentemente, evite mergulhos por alguns dias após o tratamento.
6. Mantenha a pele saudável
Se seu filho tem dermatite, converse com o pediatra sobre cuidados específicos, pois isso diminui bastante o risco.
Mitos comuns sobre dor de ouvido no verão (e a verdade por trás deles)
Para ajudar os pais a se sentirem mais seguros, vamos esclarecer alguns equívocos muito comuns:
❌ “Se entrou água no ouvido, basta pingar álcool.”
Verdade: produtos caseiros irritam ainda mais a pele e podem piorar a inflamação.
❌ “Cotonete limpa e previne infecção.”
Verdade: ele remove a proteção natural e aumenta o risco.
❌ “Dor de ouvido sempre significa antibiótico via oral.”
Verdade: na otite externa, o tratamento é normalmente local, com colírio.
❌ “Criança que tem otite não pode mais nadar.”
Verdade: pode sim! Só é importante respeitar o tempo de recuperação.
Resumo para pais: o que lembrar?
- A otite externa é muito comum no verão.
- Dor ao tocar a orelha é o principal sintoma.
- Piscinas e mar aumentam o risco por causa da umidade.
- O tratamento é simples quando iniciado cedo.
- Cotonete deve ser evitado.
- Conversas leves ajudam a criança a entender e lidar melhor com o desconforto.
Com informação, acolhimento e cuidado respeitoso, seu filho pode aproveitar as férias com muito mais tranquilidade!
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Beatriz Batista
Estudante de Medicina
Criadora do blog Cuida Criança. Produzo conteúdo educativo em saúde infantil, com base em evidências científicas, para orientar pais e cuidadores. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui avaliação médica.
- NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION. Otitis Externa. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK556055/. Acesso em: 09 dez. 2025.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Temporada de sol, piscina e mar expõe criança à otite, quadro doloroso. 2023. Disponível em:https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/temporada-de-sol-piscina-e-mar-expoe-crianca-a-otite-quadro-doloroso/.Acesso em: 09 dez. 2025.