Nada tira mais o sono de um pai ou mãe que ver o pequeno coçando incessantemente e logo surgem as marcas vermelhas no braço, perna, pescoço… Quem nunca passou por isso, não é? As picadas de insetos fazem parte da infância, especialmente em regiões quentes como a nossa. Mas, para muitas famílias, vêm acompanhadas de aflição: “é só coceira?”, “vai piorar?”, “precisa de remédio ou médico?”.
Neste artigo, quero te ajudar com tudo o que você precisa saber de forma simples e prática sobre picadas de inseto em crianças: por que algumas causam reações fortes, como aliviar o incômodo e, principalmente, como prevenir para evitar que seu filho sofra. Vamos juntos?
Por que as picadas incomodam e o que é Prurigo Estrófulo
Quando um inseto pica, ele injeta na pele substâncias que ajudam na sua alimentação: anticoagulantes, enzimas e pequenas quantidades de saliva. O corpo da criança reconhece essa saliva como algo “estranho” e desencadeia uma resposta inflamatória, daí surgem vermelhidão, inchaço e coceira.
A maioria das picadas de inseto é leve e melhora sozinha. Porém, algumas crianças têm reações mais intensas, especialmente entre 2 e 10 anos. Isso acontece porque, ao longo das primeiras exposições, o corpo “aprende” a reagir de forma mais forte à saliva do inseto.
Essa sensibilização pode causar quadros como o prurigo estrófulo (também chamado de urticária papular), um tipo de reação exagerada às picadas, com lesões que podem voltar várias vezes e durar mais tempo.
Se seu filho costuma ficar com “bolinhas” grandes, muito coceira e até feridinhas por tanto coçar, pode ser esse o caso e entender isso já ajuda a lidar com mais tranquilidade.
Picadas de inseto: quando é só incômodo e quando merece atenção
A maioria das picadas de inseto é inofensiva. Mas é essencial que pais e responsáveis saibam reconhecer quando o quadro sai do comum.
Geralmente tranquilo:
- Área avermelhada, pequena, que coça mas não dói.
- Pequeno inchaço.
- Coceira que melhora em horas ou poucos dias.
Merece atenção médica
- Coceira intensa que não melhora com cuidados básicos.
- Aumento da vermelhidão ou formação de pus – pode ser infecção.
- Bolhas grandes, muito inchaço ou dor.
- Febre, mal-estar, fraqueza.
- Sinais de alergia grave: inchaço no rosto, boca ou olhos, dificuldade para respirar ou chiado no peito
Reações graves são raras, mas quando acontecem precisam de avaliação rápida.
Como aliviar a coceira das picadas de inseto em casa
O alívio do desconforto é um dos momentos em que os pais mais se angustiam – ninguém gosta de ver o filho sofrendo. Felizmente, medidas simples ajudam muito.
1. Lave o local com água e sabão
A limpeza reduz o risco de infecções e remove resíduos irritantes da pele.
2. Aplique compressas frias
Gelo envolto em pano ou uma compressa gelada diminui coceira e inchaço imediatamente.
3. Utilize loções ou cremes calmantes
Opções com ingredientes suaves e adequados para crianças podem ajudar bastante. Evite produtos perfumados.
4. Antialérgicos podem ser úteis
Quando o incômodo é grande, antialérgicos orais, prescritos por profissional, aliviam a coceira e evitam que a criança se machuque ao coçar.
5. Mantenha as unhas curtas
Coçar pode ferir a pele e abrir caminho para bactérias. Unhas curtinhas são importantes.
6. Evite “receitas caseiras” não comprovadas
Pasta de dente, borra de café, alho, álcool ou qualquer substância irritante deve ser evitada.
Picadas de inseto e prurigo estrófulo: quando a reação se repete
Algumas crianças, especialmente entre 2 e 7 anos, desenvolvem uma sensibilidade grande às picadas de inseto. O prurigo estrófulo aparece como:
- Pápulas vermelhas muito coçantes;
- Lesões que podem ter bolinha de água no centro;
- Feridinhas por coçar;
- Reaparição frequente, principalmente após exposição a mosquitos, pulgas ou percevejos.
É uma condição comum e benigna, mas que pode atrapalhar o sono, o humor, o bem-estar e até o comportamento da criança.
A boa notícia é que melhora com o tempo. Mas, enquanto isso, a prevenção constante e os cuidados adequados fazem toda a diferença.
Prevenção: como proteger seu filho das picadas de inseto no dia a dia
Prevenir é cuidar. E, quando falamos de picadas de inseto, a prevenção envolve três pilares: ambiente, vestimenta e repelentes.
1. Ambiente protegido
- Use telas nas janelas.
- Evite acúmulo de água parada.
- Utilize mosquiteiros no berço, camas e carrinho.
- Priorize ventiladores – eles atrapalham o voo dos mosquitos.
2. Roupas adequadas
- Tecidos leves e claros atraem menos insetos.
- Em áreas de risco, use calças, camisetas de manga longa e meias.
- Evite roupas com estampas muito coloridas ou floridas, que atraem abelhas e outros insetos.
3. Repelentes: como usar com segurança
Repelentes são aliados importantes e seguros quando usados da forma correta.
Orientações gerais:
- Leia sempre o rótulo antes de aplicar.
- Nunca aplique diretamente no rosto da criança – coloque nas mãos do adulto e espalhe.
- Evite usar nas mãos da criança (elas colocam na boca).
- Use na menor quantidade necessária.
- Ao voltar para casa, lave a pele para remover o produto.
Para bebês:
- Priorize barreiras físicas: mosquiteiros, roupas compridas e ambiente protegido.
- Muitos repelentes não são recomendados antes dos 2 a 6 meses, dependendo da substância.
Mitos comuns sobre picadas de inseto
✔ “Repelente natural sempre funciona”:
Nem sempre. Muitos não têm eficácia comprovada ou duram pouco tempo.
✔ “Quanto mais cedo usar repelente, melhor”:
Bebês pequenos precisam de proteção física, não química.
✔ “Se cobrir a criança, não precisa de repelente”:
A roupa ajuda, mas não substitui totalmente a proteção.
✔ “Se coçar vai espalhar”:
Coçar não espalha, mas pode machucar a pele e infeccionar.
O conhecimento certo evita sustos e ajuda a tomar decisões mais tranquilas
Dicas práticas para o dia a dia da família
- Tenha sempre uma “necessaire de saída” com repelente seguro, gel pós-picada e álcool gel.
- Reaplique o repelente antes de brincar ao ar livre ao final da tarde, quando mosquitos estão mais ativos.
- Avalie o ambiente antes de deixar a criança brincar – perto de plantas, água parada ou entulho há mais risco.
- No verão, revise telas e mosquiteiros com frequência.
- Crie o hábito da “rotina de cuidado da pele” com a criança, explicando de forma positiva e respeitosa. Isso ajuda a construir autonomia e vínculo.
Informar, proteger e acolher: o trio que faz diferença
As picadas de inseto fazem parte da infância, mas não precisam ser um problema. Com informação clara, rotina de prevenção e cuidados simples, é possível reduzir muito o desconforto e proteger as crianças com carinho – sem pânico, sem excesso de produtos e sem medidas arriscadas.
Lembre-se: cada criança reage de um jeito. Algumas quase não notam, outras sofrem mais. O importante é observar, acolher, prevenir e buscar ajuda quando algo parecer fora do comum.
A infância é feita de descobertas, brincadeiras ao ar livre e muitas aventuras. Com atenção e cuidado, dá para viver tudo isso com segurança – e bem menos coceira pelo caminho.
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- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Picadas de inseto e repelentes — o que o pediatra precisa saber. Rio de Janeiro: SBP; 2015. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2012/12/Picadas-de-inseto-e-Repelentes-o-que-o-Pediatra-precisa-saber-2015.pdf. Acesso em: 08 dez. 2025
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Picadas de insetos e repelentes. Pediatria para famílias. Departamento Científico de Dermatologia; 2025 (última atualização: ago/2025). Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/picadas-de-insetos-e-repelentes/. Acesso em: 08 dez. 2025
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- BVS ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE. O que é estrófulo alérgico? Núcleo de Telessaúde RS; 08 ago. 2013. Disponível em: https://aps-repo.bvs.br/aps/o-que-e-estrofulo-alergico/Acesso em: 08 dez. 2025