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Cólica em bebê: o que fazer quando o choro parece não ter fim?

Se você tem um bebê pequeno em casa, talvez já tenha passado por uma daquelas noites em que parece que…

Se você tem um bebê pequeno em casa, talvez já tenha passado por uma daquelas noites em que parece que nada funciona. Você alimentou, trocou a fralda, colocou para arrotar e deu colo, mas ele continua chorando.

Você anda pela casa com o bebê nos braços, tenta amamentar mais uma vez, muda de posição, faz carinho, balança devagar… mas nada parece acalmá-lo.

E então começa aquela busca desesperada no Google: “cólica em bebê: o que fazer?”

Talvez essa seja uma das primeiras situações em que você realmente sente que não sabe o que fazer como mãe ou pai. Afinal, seu bebê ainda não consegue dizer se está com dor, com fome, cansado ou simplesmente precisando de colo.

E quando o choro fica intenso, é muito difícil não pensar: “será que tem alguma coisa errada?”

Se você está passando por isso, respire.

A cólica é muito comum nos primeiros meses de vida e, na maioria das vezes, é uma fase passageira. Mas entender como saber se é cólica em bebê, o que você pode fazer para ajudar e quais sinais merecem avaliação médica pode deixar esse período muito mais tranquilo para toda a família.

E antes de continuarmos, quero que você guarde uma coisa: o fato de seu bebê estar chorando não significa que você está falhando.


A cólica costuma aparecer nas primeiras semanas de vida, muitas vezes por volta da segunda ou terceira semana.

O bebê, que até então parecia relativamente tranquilo, começa a apresentar períodos em que chora muito, fica difícil de acalmar e parece bastante incomodado.

  • ficar com o rosto vermelho;
  • fechar as mãozinhas;
  • enrijecer os braços;
  • encolher as pernas;
  • arquear as costas;
  • ficar com a barriga mais tensa;
  • chorar de maneira mais intensa, aguda e difícil de interromper.

Existe ainda uma característica que costuma tranquilizar bastante os pais: entre as crises, o bebê geralmente está bem.

Ele mama, dorme, interage nos momentos em que está acordado e continua crescendo adequadamente.

A cólica costuma começar nas primeiras semanas, ficar mais intensa por volta de 6 a 8 semanas e depois ir melhorando aos poucos. Na maioria dos bebês, ela desaparece até os 3 ou 4 meses.

Sim, pode parecer uma eternidade quando você está acordado às duas da manhã com um bebê chorando no colo. Mas essa fase passa.


Essa é uma das perguntas que os pais mais fazem. E talvez você fique um pouco frustrado com a resposta: ainda não existe uma única explicação para a cólica.

Nos primeiros meses, o bebê está passando por uma enorme adaptação.

Seu sistema digestivo ainda está amadurecendo, o sono ainda está começando a se organizar e ele também está aprendendo a lidar com todos os estímulos que existem fora do útero.

Por isso, provavelmente existem vários fatores envolvidos.

E não, não é porque você pegou seu bebê demais no colo.

Não é porque você “acostumou mal”.

Não é porque seu leite é fraco.

E também não significa que você não sabe cuidar dele.

A cólica pode acontecer mesmo em bebês que estão recebendo todos os cuidados de que precisam.


Essa é provavelmente uma das primeiras coisas que pensamos quando vemos um bebê se contorcendo.

E, sim, os bebês têm gases.

Eles engolem ar durante as mamadas e seu intestino ainda está amadurecendo. Por isso, é normal que soltem gases, façam força, grunham e até fiquem vermelhinhos.

Mas gases e cólica não são exatamente a mesma coisa.

O simples fato de o bebê eliminar gases não significa que eles sejam a causa de todo aquele choro.

Por isso, os medicamentos utilizados apenas para “tirar gases” não têm eficácia comprovada para tratar a cólica infantil.

Antes de oferecer qualquer medicamento, chá, gotinha ou produto “natural”, converse com o pediatra.

Seu bebê é pequeno demais para experimentar soluções por conta própria.


Essa talvez seja a parte mais importante. Porque, quando o bebê está chorando, você não quer uma aula sobre cólica.

Você quer saber: “o que eu faço agora?”

A verdade é que não existe uma técnica que funcione para todos os bebês.

E talvez você precise experimentar algumas até descobrir o que costuma funcionar melhor com o seu.

Sim, o bom e velho colo. Pegue seu bebê, encoste-o junto ao seu corpo e tente desacelerar.

Você pode caminhar devagar pela casa, conversar baixinho ou simplesmente ficar ali.

E não tenha medo de pegar seu bebê no colo. Você não vai estragar seu filho por acolhê-lo.

Um bebê pequeno não está fazendo “manha”. Ele ainda está aprendendo a lidar com o mundo.

Quando você o pega, ele não está aprendendo a manipular você. Ele está aprendendo: “quando eu preciso, alguém vem.”

Quando o bebê está muito irritado, talvez não seja o momento de tentar mais dez coisas diferentes.

Apague algumas luzes, desligue a televisão, diminua o barulho, vá para um lugar mais tranquilo.

Às vezes, aquilo que parece ser pouco estímulo para um adulto é exatamente o que o bebê precisa para conseguir se organizar.

Um som contínuo e suave, como ruído branco, também pode ajudar alguns bebês.

Alguns bebês gostam de ser embalados suavemente, caminhar no colo, passear no carrinho ou ficar em um carregador apropriado.

Você pode testar e observar como seu bebê responde. Mas lembre-se: suave é suave.

Nunca sacuda o bebê.

Nem para fazê-lo parar de chorar, nem “só um pouquinho”, nem porque alguém disse que funciona.

Sacudir um bebê pode provocar traumatismo craniano grave, com risco de lesões cerebrais, sangramento e até morte.

Alguns bebês relaxam bastante durante um banho morno.

Não precisa transformar o banho em uma “receita para cólica”, pode ser simplesmente um momento de aconchego.

Um pouco de água morna, pouca luz, menos barulho e o bebê no colo depois.

Às vezes, o que ele precisa não é de uma solução para a cólica, mas de ajuda para desacelerar.

Você também pode experimentar uma massagem delicada na barriga ou movimentos suaves com as pernas.

Observe seu bebê, se ele relaxar, continue. Mas se ficar mais irritado, pare.


Essa é uma dúvida que aparece muito: “será que alguma coisa que eu comi está causando a cólica?”

Na maioria das vezes, não. Você não precisa começar uma dieta cheia de restrições porque seu bebê está chorando.

É muito comum que a mãe receba uma lista enorme de alimentos que “dão cólica”. Mas retirar vários alimentos da alimentação sem indicação pode ser cansativo e desnecessário.

Em situações específicas, o pediatra pode investigar alergia ou sensibilidade alimentar, principalmente quando o bebê apresenta outros sintomas além do choro.

Mas isso é diferente de dizer que toda cólica é causada pela alimentação da mãe. Então, antes de cortar metade da sua alimentação, converse com o pediatra.

E uma coisa é importante: cólica não é motivo para interromper o aleitamento materno.


Talvez você também esteja pensando nisso.

Quando o bebê chora muito, é natural procurar uma explicação.

“Será que é essa fórmula?”

“Será que outra marca seria melhor?”

“Será que ele não está se adaptando?”

Mas trocar a fórmula várias vezes por conta própria nem sempre ajuda, pois a cólica também acontece em bebês que mamam exclusivamente no peito.

Por isso, se o bebê apresenta muito desconforto durante as mamadas, engasga, tosse, tem dificuldade para mamar ou fica sempre muito incomodado depois de se alimentar, converse com o pediatra.

Pode ser necessário olhar para a forma como ele está mamando antes de simplesmente trocar o que está dentro da mamadeira.


Talvez alguém já tenha recomendado um probiótico para o seu bebê.

E aqui vale uma atenção especial.

Alguns estudos mostram que determinadas cepas de probióticos podem ajudar a reduzir o tempo de choro em alguns bebês, especialmente aqueles que mamam no peito.

Uma das cepas mais estudadas é o Lactobacillus reuteri DSM 17938. Mas isso não significa que qualquer probiótico funcione ou que todo bebê com cólica precise tomar um.

O tipo de probiótico importa, e o benefício não é igual para todos os bebês. Por isso, converse com o pediatra antes de começar.


Essa parte é muito importante.

Um bebê pequeno pode chorar por muitas razões: fome, sono, fralda, calor, frio, necessidade de colo…

Mas também pode chorar porque está doente.

Por isso, não devemos simplesmente olhar para um bebê chorando e concluir: “é cólica.”

Alguns sinais merecem avaliação médica, principalmente nos primeiros meses. Procure atendimento se o bebê apresentar:

  • febre;
  • dificuldade para respirar;
  • vômitos repetidos, especialmente se forem verdes;
  • sangue nas fezes;
  • ficar muito molinho ou sonolento;
  • não estiver ganhando peso adequadamente;

Em bebês com menos de 3 meses, febre de 38 °C ou mais precisa de avaliação médica, mesmo que o bebê pareça bem.


Quando falamos sobre cólica, geralmente pensamos no bebê.

Mas existe alguém do outro lado daquele choro.

Você.

A pessoa que talvez esteja acordada há horas.

Que já tentou de tudo.

Que está cansada.

Que talvez esteja chorando junto.

E que pode estar começando a pensar: “eu não aguento mais.”

Se esse pensamento aparecer, peça ajuda.

Coloque o bebê em segurança, de barriga para cima, em um berço com superfície firme e sem travesseiros, cobertas soltas, bichos de pelúcia ou outros objetos, e saia por alguns minutos.

Respire.

Lave o rosto.

Tome água.

Ligue para alguém.

Peça para outra pessoa assumir o bebê por um tempo, se isso for possível.

Você não precisa dar conta de tudo sozinho.


Essa talvez seja a parte mais difícil de aceitar.

Você pode dar colo, pode amamentar, trocar a fralda, fazer massagem, diminuir as luzes…

Pode fazer tudo isso…

e seu bebê ainda pode continuar chorando.

E isso não significa que você fez alguma coisa errada.

Nem sempre nosso papel é fazer o choro desaparecer. Às vezes, nosso papel é simplesmente estar junto enquanto ele passa.

Você não precisa encontrar uma solução perfeita.

Seu bebê não precisa de uma mãe ou de um pai que saiba exatamente o que fazer em todos os momentos.

Ele precisa de alguém que esteja presente, que tente entender suas necessidades e que ofereça segurança.


Essa pergunta provavelmente vai passar pela sua cabeça algumas vezes. E eu gostaria que você pudesse guardar esta resposta:

vai passar.

A cólica costuma ficar mais intensa nas primeiras semanas, atingir seu pico por volta de 6 a 8 semanas e depois diminuir gradualmente.

A maioria dos bebês supera essa fase até os 3 ou 4 meses. Até lá, você não precisa passar por isso sozinho. Converse com o pediatra, aceite ajuda, divida os cuidados.

E lembre-se de que seu bebê não está esperando que você seja perfeito.

Ele está descobrindo o mundo.

E você também está descobrindo como ser mãe ou pai dele.

Talvez, em alguns dias, você consiga acalmá-lo. Em outros, talvez não.

Mas, mesmo quando você não consegue fazer o choro parar, seu colo continua dizendo algo muito importante:

“Eu estou aqui.”

E, para um bebê que acabou de chegar ao mundo, isso significa muito.


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Beatriz Batista | Médica CRM-SC 43.898 Médica e criadora do Cuida Criança, onde compartilho informações sobre saúde infantil baseadas em evidências científicas, traduzidas para uma linguagem clara e acolhedora para pais e cuidadores



  • SILVA, Giovanna Stelling Brito de Araujo et al. Os efeitos da administração de Lactobacillus reuteri DSM 1738 em lactentes com cólica: uma revisão integrativa. Revista Ciência Plural, v. 11, n. 3, 2025. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1645217. Acesso em: 31 ago. 2026.
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Cuida Criança

O Cuida Criança é um espaço criado com carinho para mamães, papais e todos os responsáveis que buscam entender melhor a saúde, o desenvolvimento e o bem-estar das crianças. Aqui, falamos sobre pediatria de forma clara, acessível e acolhedora — sempre com base na ciência, no respeito às fases da infância e na construção de vínculos fortes e saudáveis.

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